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Martins, André (org.) O mais potente dos afetos. Spinoza e Nietzsche. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
Textos de: André Martins, Marilena Chauí, Scarlett Marton, Oswaldo Giacóia Jr., Homero Santiago, Marcos Ferreira de Paula; Chantal Jaquet, Patrick Wotling, Pascal Sévérac, Blaise Benoît, Céline Denat, Olivier Ponton, Christophe Miqueu.
“O mais potente dos afetos´” é fruto do projeto CAPES-COFECUB “Crises e anátemas da modernidade filosófica: Spinoza e Nietzsche como sismos na metafísica da subjetividade”, envolvendo as universidades UFRJ, USP, UNICAMP, Reims, Amiens e Paris X Nanterre.
Nietzsche, em uma célebre carta enviada a Franz Overbeck em julho de 1881, diz encontrar em Spinoza seu único precursor, e que a partir de então sua solidão (Einsamkeit) passava a ser uma dualidão (Zweisamkeit). Tal pequeno texto é o ponto de partida deste livro. Nele, Nietzsche afirma que sua filosofia e a de Spinoza têm a mesma tendência geral: fazer do conhecimento o mais potente dos afetos. E lista em seguida outros cinco pontos de aproximação entre elas: negar o livre-arbítrio, a teleologia e as causas finais, a ordem moral do mundo, o desinteresse e o mal. No início desse mesmo ano, Nietzsche já havia afirmado que o conhecimento da realidade é aquilo que “aumenta a beleza do mundo e torna mais ensolarado tudo o que há” e que por isso “a felicidade suprema consiste no conhecer”, encerrando o aforismo mencionando Spinoza entre aqueles que vivenciaram o conhecimento como um descobrir e inventar.
Cada um desses seis pontos de proximidade mencionados na carta é abordado separadamente por um nietzschiano e por um spinoziano, dentre alguns dos mais consagrados especialistas nas filosofias de Spinoza e de Nietzsche do Brasil e da França. A intenção é a de que cada leitor possa chegar a suas próprias conclusões, a partir do cotejamento de um e outro texto sobre cada um dos pontos em questão. Se tanto para Spinoza quanto para Nietzsche o conhecimento é um afeto – e o mais potente dos afetos –, esperamos que esse livro possa afetar seu leitor, contribuindo para a vitalidade da pesquisa filosófica atual.
Sumário:
Apresentação
Spinoza e Nietzsche: aproximações – André Martins
A carta de Nietzsche a Overbeck
Introdução
Nietzsche e Spinoza: ‘os dois irmãos-inimigos da filosofia moderna’ – Scarlett Marton
I. O conhecimento como o mais potente dos afetos (Erkenntnis zum mächtigsten Affekt zu machen)
Spinoza
Conhecimento e afetividade em Spinoza – Pascal Sévérac
Nietzsche
‘Fazer do conhecimento o afeto mais potente’ – Olivier Ponton
II. A negação do livre arbítrio (Spinoza leugnet die Willensfreiheit)
Spinoza
Da impotência à potência, ou da imagem do livre arbítrio à idéia da liberdade – Marilena Chauí
Nietzsche
Entre servo e livre arbítrio – Oswaldo Giacóia Jr.
III. A negação da teleologia e das causas finais (er leugnet die Zwecke)
Spinoza
A aposta do spinozismo ou o fim do finalismo – Christophe Miqueu
Nietzsche
A crítica nietzschiana da finalidade: a anti-teleologia spinozista ‘com uma diferença’? – Céline Denat
IV. A negação da ordem moral do mundo (er leugnet die sittliche Weltordnung)
Spinoza
Superstição e ordem moral do mundo – Homero Santiago
Nietzsche
Nietzsche e a ordem moral do mundo: genealogia de uma tradução de tradução – Blaise Benoit
V. A negação do desinteresse (er leugnet das Unegoistische)
Spinoza
O problema do desinteresse na filosofia de Spinoza – Marcos Ferreira de Paula
Nietzsche
O egoísmo contra o ego: a paixão do desinteresse e seu sentido segundo Nietzsche – Patrick Wotling
VI. A negação do mal (er leugnet das Böse)
Spinoza
A positividade das noções de bem e de mal em Spinoza – Chantal Jaquet
Nietzsche
Nietzsche e a negação do Mal – André Martins
Anexo
Testemunho fúnebre de Peter Gast junto ao corpo de Nietzsche
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