O Grupo de Pesquisas Spinoza & Nietzsche (SpiN) é um Núcleo de Pesquisas e Estudos sobre a filosofia de Spinoza e a filosofia de Nietzsche, em seus aspectos conceituais e históricos. Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGF-UFRJ), reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros de diversas instituições, especialistas em Spinoza ou em Nietzsche, assim como doutorandos, mestrandos e graduandos.
Tanto o filósofo holandês, filho de pais portugueses, Benedictus (ou Baruch) de Spinoza (Amsterdã, 1632 - Haia, 1677), quanto o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (Röcken, 1844 - Weimar, 1900), foram incompreendidos em vida e tidos como malditos ao longo da história da filosofia.
Ambos filosofaram contra seu tempo, a favor de um tempo por vir. Seus estilos, no entanto, são inteiramente diferentes – Spinoza, racionalista que escrevera sob o modo geométrico; Nietzsche, artista que escrevera de modo poético e aforístico. Além do caráter extemporâneo e crítico, comum a suas idéias, e apesar de seus estilos tão diversos, o que os aproxima?
Spinoza e Nietzsche representam, cada um a seu modo, pedras de tropeço na marcha triunfal da racionalidade emergente na modernidade, tanto em seu apogeu, no século XVII, quanto no esgotamento de suas virtualidades, ao final do XIX. Suas filosofias ousaram pensar a partir de uma perspectiva que fora posta sintomaticamente à margem de toda a história tradicional da filosofia: a perspectiva da imanência e da afetividade.
Pensar a contribuição destes pensadores se apresenta assim como um caminho inevitável para analisar com rigor filosófico a crise da modernidade e a própria contemporaneidade, em sua continuidade e ruptura com aquela, a fim de buscar alternativas inovadoras para os problemas filosóficos, existenciais e sociais atuais.
A obra de Spinoza e Nietzsche instigam a nós, estudiosos da filosofia, pois constituem a base de um pensamento ousado e radical. Suas propostas se mostram extremamente atuais, e de vanguarda mesmo nos dias de hoje, o que motiva a cotejar a filosofia destes dois pensadores maiores de nossa história, de modo a evidenciar suas proximidades mas também suas eventuais divergências.
O próprio Nietzsche listou seis pontos de proximidade entre sua filosofia e a de Spinoza em sua célebre carta a Franz Overbeck, postada no dia 30 de julho de 1881, onde diz ter em Spinoza seu único precursor, e que a partir de então sua solidão passava a ser uma dualidão. Quais sejam: fazer do conhecimento o mais potente dos afetos (portanto, considerá-lo como um afeto); negar o livre-arbítrio; negar a teleologia e as causas finais; negar a ordem moral do mundo; negar o desinteresse; negar o mal. Cada um destes itens nos instiga, enquanto estudiosos da filosofia, duplamente: são a base de um pensamento ousado, que se opõe à tradição filosófica da forma mais radical, fundando o interesse filosófico pela imanência; e, ponto que decorre do primeiro, pelo fato de virem de dois filósofos distantes entre si em mais dois séculos, e ainda mais de nós, e no entanto constituírem propostas filosóficas que nos são, nos dias de hoje, extremamente atuais e que continuam sendo de vanguarda. Afinal, ainda mais do que novos pontos de doutrina, Spinoza e Nietzsche inauguram novos modos de pensar e de filosofar.
As diferenças existentes entre Spinoza e Descartes, assim como as existentes entre Nietzsche e os pós-kantianos, de quem um e outro partira e se distanciara, informam sobre esta proximidade e nos permitem considerar as filosofias de Nietzsche e Spinoza como precursoras das filosofias imanentistas contemporâneas.
Nossos objetivos, através de atividades de pesquisa e de intercâmbio nacional e internacional, visam à formação de recursos humanos e à produção científica: organizar eventos, fomentar o debate filosófico, produzir publicações coletivas, contribuir para a formação de doutores, mestres e graduandos em nível de excelência, proporcionando-lhes e aos demais membros a participação em um ambiente coletivo de pesquisa, discussão e debate.
Em 2006 o Grupo organizou o I Congresso Internacional Spinoza & Nietzsche, no Rio de Janeiro, com conferencistas internacionais, além de comunicações de professores e alunos de pós-graduação de vários estados. Em 2007 seu coordenador organizou a XVI Journée Spinoza na ENS de Paris. Em 2008 estabelecemos o acordo de cooperação internacional Capes-Cofecub entre UFRJ, Unicamp, USP, Paris X, Reims e Amiens, com o projeto “Crises e anátemas da modernidade filosófica: Spinoza e Nietzsche como sismos na metafísica da subjetividade”. Em 2009 organizamos, juntamente com o Grupo de Estudos Espinosanos e com o Grupo de Estudos Nietzsche (ambos da USP), o II Congresso Internacional Spinoza & Nietzsche, em São Paulo.
